| Ara | Altar em pedra. Comum aquando da civilização Romana. |
| Arrais | Patrão ou mestre de um barco. |
| Couto | Terra imune, como as Honras, de uma entidade religiosa, como, por exemplo, um mosteiro, tomada por carta de couto, na qual se indicavam os limites geográficos da terra coutada e o âmbito da imunidade (privilégios). |
| Carta de Foral | Carta de privilégios concedida pelo Rei ou por um senhor, laico ou eclesiástico, a uma terra, estabelecendo as normas a seguir pelos habitantes entre si e em relação à entidade outorgante. |
| Foro | Renda paga ao senhorio pelo titular do domínio útil de uma propriedade ou de um prédio, conforme o estabelecido no contrato entre as partes. |
| Concílio de Trento | Foi o 19.º Concílio ecuménico da Igreja Católica, realizado em Trento, Itália, entre 13 de dezembro de 1545 e 4 de dezembro de 1563, convocado pelo Papa Paulo III (1534-1549) como reação à Reforma Protestante, sendo designado também como Concílio da Contrarreforma. |
| Corregedor | Magistrado com jurisdição nas comarcas ao qual competia fiscalizar a administração da justiça nos concelhos. |
| Definidor | É um conselheiro em certas ordens religiosas. |
| Dízimo | Encargo a favor da Igreja, que surgiu por volta do século IV, primeiramente sem obrigatoriedade e, mais tarde, no século XII, como uma obrigação, e que pretendia auxiliar no encargo da côngrua, na reparação e construção de novos edifícios e no socorro aos pobres. Regra geral, o dízimo correspondia a 10 % do trabalho de campo e dos resultados de transações (por exemplo do vinho ou do peixe), embora essa percentagem em certos casos tivesse sido superior. |
| Entrada | Imposto que surgiu por volta do século XIII, sendo uma da “joia” dada à cabeça no momento da outorga de um contrato de emprazamento ou aforamento ao camponês pelo senhor. Esta era uma forma de o senhor mostrar o poder e a influência que tinha sobre a terra e sobre o camponês e, ao mesmo tempo, ser um impeditivo para o último pensar em deixar o contrato. Este imposto podia ser pago em dinheiro ou em géneros, como vinho, animais de porte médio — como um carneiro, mas “bem feito” —, um par de galinhas e ovos ou peixes. |
| Escrivão dos órfãos | Cargo que procedia ao registo dos órfãos de um concelho. |
| Estela | Coluna monolítica ou pedra comemorativa destinada a ter uma inscrição e/ou decoração gravada. Comum aquando da civilização Romana. |
| Feira Franca | Feira que estava isenta do pagamento de impostos. |
| Galécia | Antiga província do noroeste da antiga Hispânia, sendo um território que corresponde atualmente às regiões da Galiza, Astúrias e Leão, em Espanha, e ao Norte de Portugal. |
| Galilé | Espaço coberto de frente à fachada principal de uma igreja. |
| Granja | Pequena propriedade agrícola. |
| Hispânia | Termo para designar a Península Ibérica na Idade Clássica. |
| Homem vilão | Homem que vivia numa vila ou concelho, que não pertencia à Nobreza, mas que tinha mais privilégios e menos deveres do que o comum cidadão do povo. Os que tivessem condições económicas elevadas podiam ascender à categoria social de cavaleiro-vilão, sendo necessário possuir armas e cavalos. |
| Honra | Terra imune, como os coutos, em virtude da qualidade nobre do senhor da terra. Normalmente, as Honras eram atribuídas aos nobres. |
| Igreja própria | Igreja de iniciativa particular, familiar ou comunitária. |
| Jantar | Também designado de “Colheita”, “Parada” ou “Procuração”, este era um imposto que se baseava na obrigação de o camponês oferecer as condições de aposentadoria e de alimentação ao prelado ou ao seu procurador e comitiva aquando da visita anual, incluindo forragens para os animais de carga e transporte. |
| Jeira | Este encargo era, a seguir à renda principal, o mais oneroso para os lavradores. Era um encargo na forma de trabalho gracioso a favor do prior, dos cónegos e de outros que gravitavam em volta da comunidade de Ancede, em algumas honras e quintãs, cujo senhorio direto pertencia a Ancede. Este encargo poderia ser aplicado de diferentes formas: a jeira semanal, a mais gravosa, que obrigava a trabalhos graciosos dos camponeses a 52 dias por ano, ou seja, um dia por semana; a jeira em dias de trabalho, em que não havia data fixa e que obrigava o camponês a estar disponível para oferecer a sua mão de obra mediante a vontade dos responsáveis do mosteiro e que poderia oscilar no número de dias; a jeira em número de homens por ano, em que se estabelecia um trabalho a ser feito e o proporcional de homens para o fazer; a jeira por dinheiro, que consistia em substituir o trabalho braçal por uma quantia em dinheiro; e poderia existia ainda as jeiras de bois, carro ou arado e a de serviços especializados. |
| Juiz dos órfãos | Competia-lhe gerir o processo de quem ficava órfão, tais como inventariar os bens, providenciar que os órfãos pudessem ser criados por famílias, entre outras funções inerentes. |
| Légua | Medida de comprimento que equivale a cinco quilómetros. |
| Lutuosa | Baseava-se na entrega de uma porção paga sempre que falecia o titular do contrato, ou seja, o camponês que era a cabeça de casal, havendo lugar tantas quantas as vezes que se desse a transmissão do titular por esta via, quando estávamos perante aforamentos em mais de uma vida. O seu valor variava, podendo ser o montante de uma renda anual ou um sinal. |
| Marinheiros | Quem trabalhava a bordo de uma embarcação. Normalmente, associamos esta profissão ao mar. Contudo, os que trabalhavam em barcos no rio Douro eram assim designados porque as embarcações iam até ao mar. |
| Meirinho-mor | Funcionário judicial que tinha direito de prender. Magistrado nomeado pelo rei e que governava um território. |
| Memórias Paroquiais | Inquérito dirigido pela Secretaria de Estado dos Negócios Interiores do Reino, em carta circular datada de 20 de janeiro de 1756, às diferentes autoridades eclesiásticas e remetido em seguida, por estas, para as paróquias, vindo a dar origem, em 1758, à redação e compilação das designadas Memórias Paroquiais de 1758. Este inquérito representou o esforço para se descrever e conhecer o território no século XVIII, e com particular atenção para o grau de destruição do Terramoto de Lisboa de 1 de novembro de 1755. Este inquérito encontra-se estruturado em três secções (Terra, Serra e Rio), agrupando no total 60 questões (27 para Terra, 13 para Serra e 20 para Rio), permitindo ter uma visão geral do reino nos mais variados domínios, desde o geográfico, administrativo, demográfico, religioso, económico, bem como informações sobre o citado terramoto. Não obstante a riqueza de dados que foram recolhidos nos inquéritos, convém salientar que esses mesmos dados devem ser analisados com alguma prudência porque poderiam estar sujeitos à vontade de descrever a paróquia por parte dos padres relatores e do maior ou menor conhecimento da paróquia por parte dos mesmos religiosos. |
| Orago | Santo ou anjo a que é dedicado uma igreja ou uma capela. Não confundir com Padroeiro. |
| Padroeiro | Aquele que detém um Padroado, ou seja, um conjunto de privilégios concedidos a fundadores de edifícios religiosos, como igrejas ou capelas. |
| Paleolítico | Também designado por Idade da Pedra Antiga, porque se utilizam sobretudo utensílios em pedra lascada, embora também se usassem ferramentas em madeira ou osso. |
| Patrono | Entidade protetora que preside a um mosteiro, igreja, ermida ou capela, e que a comunidade toma por defensor, prestando-lhe homenagem religiosa. |
| Pedida | Imposto pago em moeda e aplicado pelos religiosos do mosteiro de Santo André de Ancede na sua freguesia, parecendo apenas ter tido um período temporal limitado, ao governo do prior D. Fernando Afonso. |
| Rebola | Donativo a cargo do camponês a favor do vendedor ou do donatário, funcionando como um pacto entre as partes, como uma gratificação ou um reconhecimento, pago em moeda ou em géneros. Os religiosos de Ancede aplicavam este imposto sobre prédios rústicos em que a soma entregue oscilava entre um ou dois maravedis ou a entrega de objetos. |
| Rico-homem | O grau mais elevado da Nobreza. |
| Reguengo | Territórios na posse do rei ou da coroa que depois poderiam ser concedidos a fidalgos por serviços prestados. |
| Revolta da Maria da Fonte | Revolta popular contra as leis do recrutamento militar, fiscais e da proibição dos enterros no interior das igrejas. |
| Serviço dos Expostos | Serviço que procedia à recolha de crianças enjeitadas e entregava-as a amas externas para as criar, que seriam gratificadas por esse serviço. |
| Tenência | Território entregue pelo rei a um membro da mais alta nobreza tendo em vista a sua gestão político-administrativa. Quem detinha esse direito era designado de Tenente. |
| Votos de Santiago | Carga tributária, sendo uma espécie de renda paralela a pagar ao Cabido da Sé do Porto. Este tributo terá surgido no século IX, na Galiza, estendendo-se mais tarde a alguns bispados portugueses, nomeadamente ao do Porto, no século XII. O imposto incidia sobre os rendimentos do trabalho agrícola e abrangia a produção do vinho, dos cereais e da castanha, sendo pago em almudes de vinho ou em alqueires de cereais e castanhas, seguindo por barco para o Porto. Era um encargo muito contestado, havendo quem se recusasse a pagar, por muito que pudesse ser multado ou até excomungado. |