Idade Média
- entre 476 e 1453
Entre a queda de Roma e a consolidação do reino português, Baião conheceu invasões, a Reconquista Cristã e a ascensão de famílias nobres que moldaram o território. Mosteiros, castelos e igrejas surgiram como centros de poder e espiritualidade, enquanto as paróquias estruturavam a vida comunitária. Foi também o tempo em que a família dos “de Baião” ganhou projeção nacional e deixou a sua marca na história do país.
Suevos, Visigodos e Muçulmanos
Com a queda do Império Romano, Baião integrou os reinos Suevo e Visigótico, marcados por conflitos religiosos e pelo início da conquista muçulmana, a partir de 711 (Magalhães, 2015, 25-26). Os vestígios suevos são escassos, mas a presença visigótica é comprovada por peças em Santa Leocádia e por uma forte marca toponímica germânica. A influência árabe, embora menos visível, é ainda reconhecível em nomes como Mafómedes ou Mesquinhata (Lima, 2024, 92).
A Reconquista e o poder régio
A Reconquista Cristã, iniciada no século VIII, levou à entrega de terras reconquistadas a nobres, como a presúria do Porto por Vímara Peres em 868, que deu origem ao Condado Portucalense. Em Baião, o castelo de Matos tornou-se centro político e militar, administrado por tenentes como Garcia Moniz (1043-1066), da família de Ribadouro (Lima, 2024, 121-123). No século XIII, o poder régio consolidou-se com a criação dos julgados, destacando-se o Julgado de Campelo (Lima, 2024, 128).
Estrutura religiosa
Do ponto de vista social e religioso, as villae medievais estruturaram o território nos séculos IX e X, combinando espaços habitados, agrícolas e comunitários. Estas deram origem às primeiras paróquias, documentadas desde o século VI, como a de Melga em Santa Marinha do Zêzere (Magalhães, 2015, 19). Entre os séculos XI e XIII, este processo consolidou-se com a construção de igrejas românicas como São João de Ovil, Santa Maria de Gove e São Tiago de Valadares (Lima, 2024, 173-174).
O grande centro espiritual e económico foi o Mosteiro de Santo André de Ancede, já existente em 1120 e dotado de carta de couto por D. Afonso Henriques em 1141. Inicialmente modesto, conheceu forte expansão a partir do século XIII, com doações, a criação de granjas e o desenvolvimento da vinha e do comércio do vinho, tornando-se a mais importante instituição religiosa de Baião (Lima, 2024, 199-216).
Os senhores de Baião
A Idade Média baionense foi também marcada pela linhagem dos senhores de Baião, descendentes de Egas Gosendes, cuja residência se situava em Gove. Esta família tornou-se uma das mais influentes da nobreza portuguesa, próxima da corte e ligada por alianças aos Sousas e a outras casas poderosas. Entre as suas figuras destacam-se Afonso Lopes de Baião (1247-1280), trovador autor de dez cantigas, e Diogo Lopes de Baião (1253-1278), procurador régio na demarcação da fronteira luso-castelhana (Lima, 2024, 256-297). A linhagem, que deu nome à terra, extinguiu-se por volta de 1280.