Pré-História
- até ao século II a. C.
Muito antes da escrita e dos reinos, Baião era habitado por comunidades de caçadores-recolectores e, mais tarde, por comunidades que começam a sedentarizar-se e a erguer monumentos megalíticos ainda visíveis na Serra da Aboboreira. Entre planaltos e vales nasceram povoados, sepulturas e rituais que testemunham os primeiros passos da ocupação humana. No final da Pré-História, os castros dominavam a paisagem e anunciavam novas formas de vida coletiva.
O conhecimento sobre os primeiros povos de Baião é limitado, mas a Arqueologia, em particular o trabalho desenvolvido pelo Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira (C.A.S.A.) desde 1978, tem sido fundamental para compreender as origens do território.
No Paleolítico, comunidades nómadas de caçadores-recolectores ocuparam a região (Silva & Gomes, 1997, 12). No Neolítico (a partir do VI milénio a. C.), surgem habitats temporários entre planaltos e vales (Jorge, 1987, 256; Stockler, 2004, 35), bem como monumentos funerários megalíticos, as mamoas, agrupadas em núcleos (Silva & Gomes, 1997, 12-14).
Com a Idade dos Metais, estes monumentos persistem, mas em formas mais baixas, por vezes com objetos metálicos associados a indivíduos de maior estatuto social. No final do II milénio a. C., generalizam-se sepulturas individualizadas, como a necrópole do Tapado da Caldeira (Silva & Gomes, 1997, 14). Os povoados da Bouça do Frade ou do Curro de Ovil revelam práticas agrícolas e pastorícia, confirmadas por fossas de armazenamento de cereais (Soares et al., 2017, 111).
Durante o I milénio a. C., Baião integrava a área galaico-lusitana, habitada pelos Bracari, um dos povos castrejos. Estes construíram castros em locais estratégicos e elevados, como Cruito, Mantel ou Barreiro, com muralhas graníticas e funções defensivas (Dias, 2016, 25; Soares et al., 2016, 114). A pastorícia dominava a economia, refletida ainda hoje em topónimos como Castro, Castelo ou Cristelo (Silva & Gomes, 1997, 17).
No final do século I a. C. e início do século I d. C. — o chamado Ano Zero — ocorre a chegada da cultura romana, que muitas vezes reutiliza os antigos castros como base para os seus povoamentos (Dias, 2016, 15).